"…entao, eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com eles"
– Com amor,
Charlie

A MORTE TAMBÉM VIVE

A vida é uma chegada difícil, a morte é uma partida fácil. Difícil chegar porque a vida não se deu num piscar de olhos, já a morte sim, é de fácil partida porque essa se dá num relaxar de olhos. Vida, apesar de ser o oposto da morte, é também complementar a morte. Morte, apesar de oposta a vida, é também complementar a vida. Sendo assim, uma não vive sem outra. Sendo assim uma não morre sem a outra. A morte não acontece sem a vida, a vida não acontece sem a morte. Será que pra se viver é preciso morrer? Ou pra morrer é preciso viver? Se a vida fosse uma empresa, a morte seria sua sócia com 50% dos lucros… Sim, a morte tem sua parcela de culpa nos atos da vida. A vida também paga pelos seus atos. Vivemos sempre em cima do muro, caminhando cautelosamente em linha, buscando equilíbrio, aprendendo com os desequilíbrios, afinal para cada lado do abismo, existe 49,999…% de chance de você cair na vida, ou cair na morte. A vida é sempre uma breve lembrança da morte, a morte é uma eterna lembrança da vida. Se não fosse pela a morte, a vida não teria sentido, eis aí o maior paradoxo de todos os tempos. Tentamos evitar a morte, nos entristecemos quando pensamos na possibilidade de não viver mais, mas nos esquecemos que se a morte não existisse, a vida seria muito chata, pois não teríamos como sentir a dor do tempo passado e nem do sentimento de futuro que só o presente pode trazer.

(Tato - Marcel Ferrari Longuini, em divagações ao falecimento do tio avô Zico)